Visão Geral
O episódio do podcast aborda a ovodoação como alternativa para mulheres com dificuldades de engravidar, esclarecendo mitos, tabus e preconceitos. O programa traz relatos pessoais e orientações médicas, com a participação de Luciana Correia (Lully), ativista, mãe por ovodoação e fundadora do projeto Laços da Fertilidade, e da dra. Flávia Torelli, ginecologista especialista em reprodução assistida.
Infertilidade e Ovodoação
- Uma em cada seis pessoas no mundo enfrenta infertilidade; no Brasil, cerca de 8 milhões têm dificuldades para engravidar.
- Muitas mulheres não conseguem gerar filhos com seus próprios óvulos devido à idade, fatores genéticos ou condições de saúde.
- A ovodoação (doação de óvulos) surge como alternativa para realizar o sonho da maternidade nesses casos.
- Apesar de ser uma solução cada vez mais comum, a ovodoação ainda é cercada de tabus, dúvidas e preconceitos, o que reforça a necessidade de informação clara, acolhimento e empatia.
- O conhecimento sobre ovodoação é limitado, inclusive entre mulheres que buscam tratamentos de fertilidade, tornando essencial a divulgação de informações sobre o tema.
Funcionamento da Ovodoação no Brasil
- A doação de óvulos no Brasil é regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina e pela Anvisa.
- A doação deve ser anônima e não pode ser remunerada, exceto em casos de parentesco até quarto grau (por exemplo, entre irmãs).
- O material genético (óvulos) e os custos do tratamento podem ser compartilhados entre doadora e receptora, facilitando o acesso ao procedimento.
- Existem critérios rigorosos para doação: idade máxima (geralmente até 35 ou 37 anos, dependendo da clínica), boa reserva ovariana e realização de exames exigidos pela legislação.
- Mulheres que buscam congelar óvulos podem doar parte deles, reduzindo ou até eliminando custos do tratamento, o que amplia as possibilidades para diferentes perfis de pacientes.
Jornada da Receptora e da Doadora
- A receptora passa por entrevista para levantamento de características físicas, tipo sanguíneo e preferências, visando compatibilidade com a doadora.
- A doadora também é avaliada quanto à idade, saúde, exames e reserva ovariana, podendo doar parte dos óvulos em tratamentos próprios, compartilhando custos.
- O processo inclui: seleção de perfil compatível, fertilização dos óvulos doados com o sêmen do parceiro (ou doador), formação de embriões e preparação do útero da receptora para transferência embrionária.
- A escolha da doadora é baseada em características físicas e tipo sanguíneo, mas a identidade permanece anônima, exceto em casos permitidos por lei.
- O compartilhamento de custos e material genético beneficia tanto mulheres que precisam de óvulos quanto aquelas que desejam congelar óvulos para o futuro.
Relato de Experiência – Lully
- Lully relata que nunca planejou ser mãe, priorizando a carreira, mas mudou de ideia após conhecer o marido.
- Descobriu a infertilidade aos 41 anos, com reserva ovariana praticamente nula, e enfrentou resistência inicial à ovodoação por questões emocionais, familiares e culturais.
- Sentiu medo, solidão e vergonha, evitando contar sobre o processo até para familiares próximos.
- O apoio do marido e o contato com outras mulheres que passaram pela ovodoação foram fundamentais para sua aceitação.
- Após tentativas frustradas com seus próprios óvulos, optou pela ovodoação, passando por processos de escolha de doadora, transferências embrionárias e perdas gestacionais.
- A experiência com a adoção de uma gata a ajudou a compreender que o amor é construído e não depende de genética.
- Na última tentativa, engravidou de gêmeas e decidiu contar desde cedo às filhas sobre sua origem, valorizando o amor, o pertencimento e a construção familiar.
- Fundou o projeto Laços da Fertilidade e escreveu livros infantis para apoiar outras famílias e ajudar a contar histórias de ovodoação de forma lúdica.
Aspectos Psicológicos, Sociais e Familiares
- A aceitação da ovodoação é um processo gradual, muitas vezes precedido por tentativas com óvulos próprios e resistência à ideia de não transmitir a genética.
- Expectativas sobre semelhança física, características comportamentais e manutenção de traços familiares são comuns e podem dificultar a escolha da doadora.
- O ambiente, a criação e os valores familiares são destacados como mais determinantes na formação da criança do que o DNA.
- O preconceito e o medo do julgamento social ou familiar ainda são barreiras importantes, levando muitas mulheres a viverem o processo em silêncio.
- A decisão de contar ou não sobre a ovodoação para os filhos é pessoal; contar pode aliviar sentimentos de culpa, isolamento e fortalecer o vínculo familiar.
- O apoio de comunidades, grupos e profissionais especializados é fundamental para o acolhimento emocional e a superação do sofrimento.
Perguntas Frequentes Respondidas
- Etapas do processo: entrevistas iniciais, exames médicos, seleção de perfil compatível, fertilização dos óvulos doados, formação de embriões e transferência para o útero da receptora.
- Custos: podem ser compartilhados entre doadora e receptora; mulheres jovens que doam parte dos óvulos podem ter o tratamento de congelamento subsidiado ou gratuito.
- Benefícios: ampliação das possibilidades de maternidade, redução de custos, apoio mútuo entre mulheres, e maior acesso a tratamentos de fertilidade.
- Preconceito: o maior tabu é a dúvida sobre o vínculo materno; relatos mostram que o amor, a convivência e a criação são mais relevantes que o DNA.
- Compatibilidade sanguínea: não é obrigatório que a doadora e a receptora tenham o mesmo tipo sanguíneo, mas busca-se compatibilidade para facilitar possíveis decisões futuras sobre contar ou não a origem à criança.
Ações de Apoio e Informação
- Comunidades de apoio, como o Basta Sentir Maternidade, proporcionam acolhimento, troca de experiências e suporte emocional para mulheres em diferentes fases da jornada da fertilidade.
- A divulgação de informações claras e acessíveis sobre ovodoação amplia as opções e reduz o preconceito, permitindo escolhas mais conscientes.
- Projetos como livros infantis ajudam famílias a construir narrativas positivas sobre a ovodoação, facilitando o diálogo com as crianças e promovendo aceitação.
- O compartilhamento de histórias pessoais, como o de Lully, inspira e encoraja outras mulheres a buscar apoio e enfrentar o processo com menos medo e mais informação.
Recomendações e Conselhos
- Buscar informações seguras e atualizadas, conversando com especialistas em reprodução assistida antes de tomar decisões.
- Reconhecer que o processo envolve aspectos emocionais profundos e pode exigir acompanhamento psicológico.
- Respeitar o tempo individual de aceitação, sem pressa ou pressão externa, e considerar participar de grupos de apoio durante e após o tratamento.
- Valorizar o ambiente familiar, a convivência e os laços afetivos, entendendo que o amor e a construção da família vão além da genética.
- Compartilhar informações sobre ovodoação de forma natural e aberta contribui para combater preconceitos e ajudar outras mulheres a realizarem o sonho da maternidade.
Decisões
- Divulgar informações sobre ovodoação para combater preconceitos, ampliar o acesso e apoiar mulheres que enfrentam infertilidade.
- Publicar livros infantis sobre ovodoação para facilitar o diálogo familiar e promover aceitação desde a infância.
- Manter e fortalecer comunidades e espaços de apoio para mulheres em tratamento de fertilidade, promovendo acolhimento, troca de experiências e empoderamento.
- Incentivar o compartilhamento de histórias reais para inspirar, informar e ajudar outras famílias a superar desafios emocionais e sociais relacionados à ovodoação.